1 de mai de 2017

PROJETO: LEITURA DE POESIA - T61

Gênero textual Poemas / 6º ano

GÊNERO TEXTUAL POEMAS  6º ANO
CONHECENDO O GÊNERO POEMA  

Qual a diferença entre poesia e poema?
    Poesia, segundo o Miniaurélio Século XXI, é a “arte de criar imagens, de sugerir emoções por meio de uma linguagem em que se combinam sons, ritmos e significados”. Já o poema é definido como “obra em verso ou não em que há poesia”.
     Então essa é a diferença: quando falamos em poema, estamos tratando da obra, do próprio texto; e, quando falamos em poesia, tratamos da arte, da habilidade de tornar algo poético. Uma pintura, uma música, uma cena de um filme também pode ser poéticas. 

É difícil definir as características próprias de um poema. Um texto escrito em versos rimados é um poema, mas outro sem rima também pode ser. Um texto cujas palavras se organizam na folha de papel lembrando a forma de um girassol também pode ser um poema. Poemas tem várias formas e falam de diferentes temas.

Ao tomarmos como exemplo poemas consagrados da Língua portuguesa, como “infância”, de Carlos Drummond de Andrade; “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias; “A onda”, de Manuel Bandeira; ou “Emigração e as consequências”, de Patativa do Assaré, observamos que revelam sentimentos como tristeza e angústia, cantam saudades e belezas da terra natal, contam uma história, ou denunciam injustiças e desigualdades sociais, ou seja, versam sobre diferentes temas.

Vamos ouvir alguns poemas consagrados da literatura brasileira, observando o ritmo e a musicalidade. Acompanhe.

Canção do exílio – Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

 Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
      
 Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
 Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 


Infância – Carlos Drummond de Andrade
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

  No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

 Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
      
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.


Os poetas escrevem para emocionar, divertir, convencer, fazer pensar o mundo de um jeito novo. Eles usam diferentes recursos, como rimas, repetições, metáforas e até formas diferentes de colocar as palavras no papel. Tudo para transmitir ideias, experiências e emoções ao leitor.


O poeta pode jogar com a sonoridade, rimando as palavras, repetindo sons parecidos nos versos, fazendo que eles ecoem ao longo do texto.

Poetas também usam como recursos a comparação. Podem ir além e transmitir a impressão que algo lhes causou, criando imagens. Quando fazem isso, criam metáforas. Assim, dão às palavras um sentido mais rico, como se elas quisessem dizer algo mais.

Meus oito anos – Casimiro de Abreu
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!


Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!


Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!


Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!


Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!


................................


Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

Apesar de tantas possibilidades, podemos identificar dois aspectos comuns a todos os textos. O primeiro é a maneira original de os poetas verem as coisas, que encanta e emociona o leitor. O segundo, o uso das palavras de forma especial, de modo diferente do habitual.

ELEMENTOS DO POEMA

Poema: conjunto de versos.

VersoLinha de uma composição poética, dotada de um ritmo e cadência determinados.
Estrofe: Grupo de versos que formam geralmente sentido completo num poema. As estrofes do mesmo poema são separadas uma das outras por um espaço em branco.
RitmoO ritmo do poema é a sucessão de sons fortes (sílabas tônicas) e sons fracos (sílabas átonas), repetidas com intervalos regulares ou variados que dão musicalidade (melodia) ao poema.
No poema, as pausas existem não necessariamente através de sinais de pontuação, mas as palavras provocam a melodia e, o ritmo é determinado por elas e pela sequência de sons.
A distribuição das sílabas átonas e tônicas e o tamanho do verso determinam o seu ritmo. E para medi-lo é necessário observar a quantidade e a intensidade das sílabas.


Rima: é recurso usado nos poemas para dar sonoridade. Consiste em colocar palavras com sons iguais a partir da última vogal tônica no meio (rima interna) ou no fim (rima final) do verso. Aqui vamos deter-nos nas classificações que mais interessam para a composição de poemas.

Quanto à disposição, as rimas classificam-se em: 

Emparelhadas ou paralelas (1º com 2º, 3º com 4º - esquema: AABB): 
No rio caudaloso que a solidão 
retalha, 
na funda correnteza na límpida 
toalha, 
deslizam mansamente as garças 
alvejantes; 
nos trêmulos cipós de orvalho 
gotejantes... 
(Fagundes Varela) 

Alternadas ou cruzadas (1º com 3 º, 2º com 4º - esquema: ABAB): 
Amor, essência da 
vida, 
é uma expressão de 
Deus. 
Alma, não fique 
perdida! 
Ele luz os dias 
seus. 
(Josete - http://www.escrevo.net/index.php) 

Opostas (1º com 4º, 2º com 3º - esquema: ABBA): 
Mais de mil anos-luz já separado, 
Naquela hora, do meu pensamento. 
O filme de uma vida, ínfimo momento, 
O derradeiro instante havia impregnado. 
(Ferraz - http://www.escrevo.net/index.php) 

Encadeadas ou internas  (a palavra final do verso rima com uma palavra do meio do verso seguinte): 
"Quando alta noite n'amplidão flutua

Pálida a lua com fatal palor,
Não sabes, virgem, que eu te suspiro
E que deliro a suspirar de amor."
(Castro Alves) 

Misturadas (não possuem posição regular): 
De uma, eu sei, entretanto, 
Que cheguei a estimar 
Por ser tão desgraçada! 
Tive-a hospedada a um canto 
Do pequeno jardim; 
Era toda riscada 
De um traço cor de mar 
E um traço carmesim. 
(Alberto de Oliveira) 

A partir do início do séc. XX, os poetas, numa rebeldia, porque não queriam mais a poesia com esta forma rígida, criaram os versos sem rima, que são chamados brancos. 

Quanto à natureza, as rimas classificam-se em:

Rimas pobres: quando as palavras que rimam pertencem à mesma classe gramatical (substantivo com substantivo, por exemplo).

Rimas ricas: quando as palavras que rimam pertencem a classes gramaticais diferentes (um substantivo e um adjetivo, por exemplo).

Examinemos o quarteto abaixo: 
Um mestre, embora muito sonhador, 
Precisava esconder sua afeição... 
Na Idade Média, uma imortal paixão 
uniu uma aluna e um professor. 
(Mardilê Friedrich Fabre)

A palavra paixão, que é um substantivo, rima com afeição, que também é um substantivo. Temos rima pobre.

A palavra professor, que é um substantivo, rima com sonhador, que é um adjetivo. Temos rima rica.

Rimas preciosas: quando as palavras que rimam apresentam estruturas gramaticais diferentes. 
Por exemplo: estrela com vê-la.

Quanto à fonética, as rimas classificam-se em:

Perfeitas: quando todos os fonemas (sons das letras), a partir das últimas vogais tônicas dos versos são iguais. Exemplo: vida e perdida.

Imperfeitas: quando os fonemas são semelhantes a partir das últimas vogais tônicas dos versos. Exemplo: Deus e céus.

Toantes: quando somente as últimas vogais tônicas dos versos são iguais. Exemplo: hora e bola




Atividade 1
Leia o poema
Duas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz
Otávio Roth
Passarinho na janela
Pijama de flanela,
Brigadeiro na panela.

Gato andando no telhado,
Cheirinho de mato molhado,
Disco antigo sem chiado.

Pão quentinho de manhã,
Drops de hortelã,
Grito do Tarzan.

Tirar a sorte no osso,
Jogar pedrinha no poço,
Um cachecol no pescoço.

Papagaio que conversa,
Pisar em tapete persa,
Eu te amo e vice-versa.

Vaga-lume aceso na mão,
Dias quentes de verão,
Descer pelo corrimão.

Almoço  de domingo,
Revoada de flamingo,
Herói que fuma cachimbo.

Anãozinho de jardim,
Lacinho de cetim
Terminar o livro assim.

Agora responda:

a- Do que trata o poema apresentado?_____________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________________________________

b- Como sabe que é poema? ______________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________

c- Por que os poema é diferente de uma notícia de um jornal, de um verbete de dicionário ou de um conto?________________________________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

d- Como ele se organiza no papel?________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

e- Há sons que se repetem? Comente. ____________________________________
_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

f- Há palavras ou expressões que, mesmo distanciadas dentro do texto, podem ser associadas, por terem semelhanças sonoras?_______________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Atividade 2

Sons e quadras
As quadras são estrofes compostas por quatro versos. Elas nasceram com o povo português na era medieval. Quadra é uma forma antiga e popular de organizar os versos e é usada até hoje no Brasil. As crianças conhecem muitas quadras populares, algumas como cantigas de roda:

                  O cravo brigou com a rosa,
                  Debaixo de uma sacada.
                  O cravo saiu ferido,
                  E a rosa despedaçada.





Veja outras quadras:

Não sei se vá ou se fique
Não sei se fique ou se vá
Ficando aqui não vou lá
E ainda perco o meu pique

Sílvio Romero. Cantos populares do Brasil.
São Paulo, José Olympio, 1954.

Ô seu moço inteligente
Faça o favor de dizer
Em cima daquele morro
Quanto capim pode ter?
Ricardo de Azevedo. Armazém do folclore.
São Paulo, Ática, 2000.


Você já aprendeu que os versos podem rimar de diferentes formas.
Agora, complete os versos  nas quadrinhas abaixo  com palavras que rimam.

Ô seu moço inteligente
Faça o favor de dizer
Em cima daquele morro
Quanto capim pode ___________?


                       Lá no fundo do quintal
                       Tem um tacho de melado
                       Quem não sabe cantar verso
                       É melhor ficar _________________


Meu amor falai baixinho                                     Vale a pena ser discreto?
Que as paredes têm ____________;                 Não sei bem se vale a __________
Segredo mais encoberto                                    O melhor é estar quieto                           
É sempre o mais conhecido                               E ter a cara serena.

                                                                         





PRODUÇÃO ESCRITA

Você vai escrever uma quadrinha sobre o tema que preferir. Use a sua imaginação para criar um texto criativo e estimulante, pois os seus colegas terão a oportunidade de conhecer o seu poema, que será recitado em sala de aula. Para produzir a quadrinha, siga as orientações a seguir.

a- Releia, se desejar, as quadrinhas da atividade 2.
b- Pense em alguns temas como: amizade, escola, amor, paz, viagem, brincadeiras, sentimentos, família, animais.
c- Pense em palavras relacionadas ao tema escolhido e que rimem.
d- Escolhido o tema, faça uma lista de palavras que se relacionem a ele.
e- Defina a posição que as rimas ocuparão no poema.
f- Produza a quadrinha em uma folha de rascunho. Depois, revise-a e verifique se você seguiu todas as orientações. Faça as alterações necessárias e passe a quadra a limpo. Treine a recitação para que sua apresentação seja um sucesso.


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Atividade 3
Poema em forma de acróstico

Leia e observe este poema

Posso dizer que cantei
Aquilo que observei
Tenho certeza que dei
Aprovada a relação
Tudo é tristeza e amargura
Indigência e desventura
Veja, leitor, quanto é dura
A seca no meu sertão.

       Patativa do Assaré

Nesse poema, Patativa do Assaré ordenou as letras iniciais dos versos para formar uma palavra. Nesse caso, o próprio nome do autor: Patativa. Esse recurso é chamado “acróstico”.
Nessa atividade, cada um vai criar um acróstico com o seu próprio nome.
Para compor os versos, fale de suas características, do seu jeito de ser, das coisas que gostam.

Para te auxiliar nessa produção, complete estas frases.

Eu sou _________________________________
Eu gosto muito quando____________________________
Fico triste quando___________________________________
Meus amigos dizem que____________________________
Fico desanimado quando____________________________________
Minha maior qualidade é___________________________________
Às vezes eu _____________________________________________
Sonho com_____________________________________

Observe este feito pela Paula.

Pequena
Alegre
Um dia eu fui...
Livre, leve
Agora eu sou.

Agora faça o seu.


 Atividade 4

Leia alguns poemas


Timidez  Cecília Meireles


Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras distantes...
- palavras que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo
até não se sabe quando...
- e um dia me acabarei.

Coisas do reino da minha cidade
Cora coralina   (nome literário de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas)
Olho e vejo por cima dos telhados patinados pelo tempo
copadas mangueiras de quintais vizinhos.
Altaneiras, enfolhadas, encharcados seu caules,
Troncos e raízes das longas chuvas do verão passado
Paramentadas em verde, celebram a liturgia da próxima florada.
Antecipam a primavera no  revestimento da brotação bronzeada,
onde esvoaçam borboletas amarelas.
As mangueiras estão convidando todos os turistas,
para a festa das suas frutas maduras, nos reinos da minha cidade.
..........................................................................................................
Estas coisas nos reinos de Goiás.




Na minha terra

Álvares de Azevedo

Amo o vento da noite sussurrante
A tremer nos pinheiros
E a cantiga do pobre caminhante
No rancho dos tropeiros;

E os monótonos sons de uma viola
No tardio verão,
E a estrada que além se desenrola
No véu da escuridão;

A restinga d'areia onde rebenta
O oceano a bramir,
Onde a lua na praia macilenta
Vem pálida luzir;

E a névoa e flores e o doce ar cheiroso
Do amanhecer na serra,
E o céu azul e o manto nebuloso
Do céu de minha terra;

.....................................................


Atividade 5

Agora chegou a hora de você escrever um belo poema, decida quais recursos poéticos você vai usar. Comece a compor o poema sobre qualquer coisa:  amizade, escola, amor, paz, viagem, brincadeiras, sentimentos, família, animais, etc.. Siga as mesmas orientações da atividade 2 (PRODUÇÃO ESCRITA)..
 Use a sua imaginação para criar um texto criativo e estimulante, pois os seus colegas terão a oportunidade de conhecer o seu poema, que será recitado em sala de aula.


Para compor poemas, mesmo os poetas consagrados ficam muito tempo melhorando seus versos, arrumando, organizando, mexendo nas palavras. É preciso tempo, não só pra fazer correções, mas para aprimorar o texto. É assim que os poetas deixam de lado o lugar-comum, rompem com os clichês e conseguem encantar o leitor com um texto original e criativo.

Eclesiastes 1:13

E apliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; esta enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens, para nela os exercitar.